sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

CRÍTICA - Um Olhar do Paraíso

Por Guilherme Cândido

Hoje em dia, não restam dúvidas de que Peter Jackson é um diretor extremamente talentoso.Cuidadoso com suas tramas e sempre caprichando nos efeitos especiais, ele construiu uma boa reputação ao longo dos anos, consagrando-se com sua obra máxima O Senhor dos Anéis.Portanto, era de se esperar que seu novo filme causasse uma certa expectativa.E talvez por isso, Um Olhar do Paraíso seja uma das maiores decepções desse ano novo, sendo difícil que haja uma igual ao longo de 2010.

Baseado no Best-Seller The Lovely Bones, a trama acompanha a vida da jovem Susan (vivida pela linda Saoirse Ronan), que adora tirar fotos e possui uma vida feliz ao lado dos pais (vividos pelo franzidor de testa profissional Mark Wahlberg e pela sempre talentosa Rachel Weisz).Só que num belo dia, seu vizinho misterioso (Stanley Tucci, de O Diabo Veste Prada e Dança Comigo) a leva até um lugar subterrâneo que ele mesmo construiu e decorou só para assassiná-la brutalmente.A partir daí, acompanhamos a tragetória de Susan em sua jornada no Paraíso e também a de todos os envolvidos.


Saoirse Ronan (Desejo e Reparação, Cidade das Sombras)transmite com larga facilidade toda a doçura e inocência de Susan Salmon (Como o peixe, como diz a personagem) e só.Ao longo da projeção, a atriz se perde em sua dramaticidade e soa artificial, mas jamais perde sua beleza e inocência.Mark Wahlberg (Max Payne) finalmente acabou com sua mania esquisita de franzir a testa a cada vez que uma câmera é apontada em sua direção, surgindo até muito bem como o pai sofrido e que busca vingança.Rachel Weisz (A Múmia, O Jardineiro Fiel), por sua vez, está discreta e faz o que pode com seu pequeno tempo em cena.A grande surpresa mesmo foi Stanley Tucci: com a caracterização totalmente modificada, o ator surge com cabelo, de olhos azuis (lentes, obviamente), bigode e sempre com um ar sombrio.O ator permanece assim durante a maior parte da projeção, esbanjando competência.


Porém, a trama fraca (comprovado pelo apoio da narração em off) possui diversas pontas soltas e se arrasta durante toda a metade da projeção, que, aliás, é a pior parte do filme.O longa simplesmente pára.Nada é acrescentado e ainda tem a péssima participação de Susan Sarandon (Speed Racer) que, embora esteja eficaz no primeiro ato, se revela tremendamente artificial numa determinada cena.E o roteiro não se preocupa nem um pouco em amarrar essas pontas, arremessando cenas que não fazem sentido algum e só prejudicam ao filme.
Contando ainda com um final tão absurdo que chega a beirar o ridículo, o pouco que o filme construiu de bom ainda é jogado pela janela, até Stanley Tucci se mostra refém do péssimo roteiro.Os efeitos especiais, apesar de serem bons, são exagerados e distraem o espectador.

Não chega a ser uma completa porcaria, já que conta com pequenos momentos inspirados graças ao talento de Peter Jackson, mas não são suficientes para salvar o filme do fracasso.E você, ao longo da sessão ainda se perguntará "Eu já não vi um filme assim em algum lugar?".E a resposta será sim, caro leitor: Amor Além da Vida, com Robin Williams e que facilmente supera esta perda de tempo.
1 Estrela (Ruim)

2 comentários:

carlos disse...

quando vi a resenha, o trailer e os banners... pensei que fosse uma refilmagem de amor alem da vida..

Guilherme Cândido disse...

E aí Carlos!Pois é né...a semelhança é muito grande mesmo.Quem diria que Peter Jackson faria um filme assim...

Obrigado pelo seu comentário, Carlos e volte sempre!